O Peso da Estagnação e a Coragem do Rascunho
Existe um tipo de cansaço que não vem do excesso de trabalho, mas da falta de movimento. É o peso de carregar projetos que já estão prontos no espírito, mas que a mente, em sua astúcia protetora, insiste em manter no porão. Muitas vezes, nos escondemos atrás de uma suposta "busca por conhecimento" para não confessarmos o que realmente nos trava: o medo de que, ao darmos certo, a vida nos peça uma conta que ainda não sabemos como pagar.
Como bem pontuou C.G. Jung, "o que você nega, te submete; o que você aceita, te transforma". Ao negar o seu papel de mentora sob a desculpa de que ainda lhe faltam "milhões de coisas", você se submete ao fardo de ser uma eterna aprendiz de si mesma. A procrastinação, aqui, não é falta de tempo, mas um medo inconsciente da própria potência. Temos medo de que o brilho do sucesso nos traga de volta a sobrecarga, esquecendo-nos de que a maior exaustão não nasce da gestão do que prospera, mas da manutenção do que está parado.
Filosoficamente, vivemos o que Martin Heidegger chamava de angústia diante das possibilidades. Enquanto você não escolhe o "ir com medo", você carrega todas as versões do que poderia ser, e esse peso imaginário é infinitamente mais esmagador do que o peso da realidade. Errado já está dando. Errado é o silêncio de quem tem a voz pronta. Errado é a estagnação de uma nascente que, por medo de se tornar rio e enfrentar as pedras, prefere virar pântano.
Ninguém "acontece" no estalar de dedos de uma manhã ensolarada. A construção de uma autoridade é um processo orgânico, místico e, acima de tudo, imperfeito. É preciso aceitar a vulnerabilidade de ser um rascunho em exibição. A alma só se sente viva quando flui, e a sua mentoria é o canal por onde essa energia precisa passar. A gestão do amanhã pertence ao amanhã; hoje, a sua única tarefa é não permitir que o peso da sua hesitação seja maior do que a alegria da sua entrega.
Vá com medo. Vá com as mãos trêmulas e o conhecimento que você já habita. Pois, no fim das contas, a única coisa pior do que falhar no campo de batalha é perceber, tarde demais, que você ainda está exatamente no mesmo lugar, carregando o peso de uma armadura que nunca viu a luz do sol.
Por Ludimila Bicholli
@lbicholli
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